quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

EXISTEM LIMITAÇÕES NA UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS ON-LINE?







1 - Introdução:

Antes de tentar responder à questão que serve de título a este "post", entendi dar a conhecer a realidade das turmas que possuo:


No presente ano lectivo, as turmas que lecciono, podem ser divididas em dois grupos: O primeiro grupo é constituído por duas turmas de ensino profissional, sendo uma turma de 10º ano (Curso Profissional de Apoio Psicossocial) e outra de 11º ano (Curso Profissional de Mecatrónica Automóvel). O segundo grupo é constituído por três turmas EFA (duas de nível B3 e uma de nível secundário), leccionadas no Estabelecimento Prisional de Alcoentre.


Será agora mais fácil expor o meu ponto de vista: Nas duas turmas do grupo que eu denominei como "primeiro grupo", não existem dificuldades em pôr em prática as ferramentas on-line, que são o motivo da presente acção de formação. Porém, nas turmas do grupo por mim denominado como "segundo grupo", a situação passa a ser diversa, como mais tarde passarei a descrever.



2 - A Utilização dos Recursos on-line nas turmas "regulares":

Nas turmas do ensino secundário regular, torna-se relativamente fácil a utilização de qualquer ferramenta on-line, sendo as dificuldades, ou melhor, os problemas, a existirem, advenientes de causas exteriores aos respectivos sistemas. Tentarei agora falar de cada ferramenta, tendo sempre como padrão as minhas duas turmas de cursos profissionais:

  • BLOGUE: A utilização dos blogues nestas turmas é fácil, bastando, para tal, dar as instruções aos alunos sobre a tarefa a realizar e fazer a motivação necessária, que poderá ser um "warm up" feito com a ajuda de "PowerPoint" .

  • WIKI: Tal como acontece com os blogues, a utilização de "wikis", nestas turmas afigura-se-me totalmente pacífica, no que concerne à ferramenta em si. A diferença com os blogues reside apenas na adequação à tarefa proposta. Os "wikis" são textos colaborativos, apresentando, quanto a mim, a única desvantagem de possuírem uma utilização sensivelmente mais complicada e menos intuitiva do que os blogues.

  • E-PORTFÓLIO: Eu não classificaria os e-portfólios como uma ferramenta ao nível das duas anteriores, mas sim, como um dos resultados que podem ser atingidos com elas. Quanto a mim, os e-portfólios vão muito além do âmbito da disciplina que lecciono, ou mesmo de todas as disciplinas que constituem o currículo dos alunos. Um e-portfólio deve conter todos os elementos de interesse no percurso escolar e profissional do indivíduo, ou seja, é um instrumento transversal à sua vida. Posso porém dizer, que embora multidisciplinar, um e-portfólio poderia ser iniciado nas minhas aulas, em qualquer das duas turmas.
Falando agora dos possíveis problemas inerentes a causas exteriores aos recursos, tal como atrás aludi, passarei a referir aqueles, que eu eventualmente poderei encontrar nas minhas duas turmas consideradas. O primeiro destes problemas poderá ser causado ou potenciado pelos próprios elementos das turmas:

A possível falha momentânea de algum aparelho necessário ao sistema, o que, aliás, é problema recorrente, pelo menos, na nossa escola, causará sempre bastante agitação entre os alunos, nomeadamente em certas turmas de cursos profissionais. Possuo uma certa experiência dessa situação de agitação, nomeadamente na minha turma de 11º ano (Curso de Mecatrónica Automóvel). A causa dessa falha prende-se sempre com a enorme precaridade do serviço de internet de que dispomos.

Outro grande problema, e este não poderá ser resolvido pelo professor, prende-se com a falta de computadores, que é crónica em quase todas as escolas públicas do nosso país (e de vários outros países, cujas escolas conheço, por terem sido nossas parceiras em projectos europeus). Para se trabalhar em condições, deveria haver, pelo menos, um computador por cada dois alunos.

O terceiro problema que encontro, tem a ver com a possível falta de controlo, que o professor pode ter sobre os vários elementos da turma. Enquanto o professor dá apoio a um ou dois alunos, poderá haver outros dois alunos, noutro ponto da sala, a utilizar os recursos on-line postos à sua disposição, mas para fins meramente lúdicos ou outros. Este problema é real, nomeadamente numa turma de cursos profissionais, com alunos com problemas de motivação.

Também sei que estes problemas poderão ser evitados, na medida em que a criação de blogues ou de "wikis" pode e deve ser feita fora do âmbito da sala de aula. Finalmente o problema do "bullying" já foi tratado noutro "post", pelo que não irei reiterar essa matéria.

3 - A Utilização dos Recursos on-line noutras Situações de Ensino-Aprendizagem:

Vou agora falar de outra realidade, que ajudará a responder à questão que constitui o título deste "post":
Na minha realidade de ensino-aprendizagem do presente ano lectivo, as turmas que lecciono no Estabelecimento Prisional de Alcoentre, constituem, para mim, a maior limitação à utilização dos recursos on-line, que são o motivo desta acção de formação. Neste caso, em que é expressamente proibida a utilização da internet, para a qual, aliás, não existe sinal dentro do estabelecimento nem nas suas imediações, torna-se imediatamente impossível a realização de qualquer projecto, que inclua a criação de blogues ou de "wikis". Então, só será possível a realização de projectos com computadores, utilizando periféricos, como sejam "pens", disquetes, CD-R's ou DVD's.

4 - Conclusão:

Reiterando a ideia do meu colega e amigo Pedro Neto, embora talvez de forma um pouco mais moderada, também acho que devemos dosear a utilização dos recursos on-line. Os alunos não podem descurar a criatividade da escrita manual, o desenvolvimento da caligrafia, o desenvolvimento da actividade mental, através do papel e do lápis ou da esferográfica. Os recursos on-line deverão ser uma ferramenta adicional e nunca uma ferramenta substituta.

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