1 - Introdução:
O recurso a esta nova ferramenta no ensino-aprendizagem do inglês, aliás, de qualquer outra língua estrangeira, afigura-se-me de grande importância. Pelo que já li, posso chegar à conclusão de que, a utilização dos blogues nesta situação, pode revolucionar as nossas aulas.
As aulas clássicas de inglês são geralmente dadas com o auxílio de um manual, cujos textos estão relacionados com os domínios de referência a tratar. Por vezes também utilizamos um leitor de CD's. Os vários assuntos são discutidos ou debatidos numa interacção professor / aluno ou aluno / aluno. Penso, porém, que a utilização de blogues possa criar novas sinergias no processo de ensino-aprendizagem.
2 - As Vantagens:
Nesta minha reflexão, eu poderia começar por falar de qualquer vantagem na criação de blogues, como ferramenta de ensino-aprendizagem, pois que, em minha opinião, qualquer uma delas tem uma enorme importância e a todas elas me referirei mais tarde.
Os nossos alunos, em parte por culpa nossa, não se habituaram a tomar notas, actividade importante para a realização de certos exercícios dedicados a testar o poder de síntese. Alguns desses exercícios fazem parte dos exames nacionais do 12º ano. Ora, a elaboração dum "post" para um blogue exigirá, em princípio, uma pesquisa dos assuntos e uma tomada de notas, que irá desenvolvendo progressivamente o poder de síntese dos alunos. Estes aprenderão também a avaliar e a aferir da importância de cada fonte de informação on-line, isto é, irão começar a discernir o que é importante do que é acessório. Todos sabemos que a maioria dos nossos estudantes não sabe fazer essa separação, tão importante quando têm que estudar, recorrendo aos respectivos manuais. Outra ferramenta útil para o efeito poderá ser aqui incluída: o PowerPoint.
Além da capacidade de síntese, várias outras capacidades poderão ser desenvolvidas com a prática de "blogging". Destas, salientarei de imediato a capacidade de "escrever": o aluno irá desenvolver a sua capacidade de escrita, porque terá de produzir textos para enriquecer o blogue. Outra capacidade a desenvolver de imediato, será a capacidade de "ler": mais do que ler o que produz, o aluno ver-se-á obrigado a ler o que os outros estudantes produzem. Neste exercício, também se desenvolve a capacidade de pensamento crítico: o aluno responde e critica os blogues dos colegas, enquanto que o seu blogue também é criticado por eles (logicamente o professor também fará os seus comentários). O fomentar desta interacção é também deveras importante, numa altura em que se critica o forte individualismo das camadas mais jovens. Aqui pode surgir uma oportunidade para um bom exercício de cidadania e democracia. Cada um passará a aprender e respeitar o ponto de vista do outro, não descurando contudo a aprendizagem do respeito pela propriedade individual, na boa acepção da expressão, visto que um blogue é algo pessoal. Por outro lado, o comentário ou a simples crítica construtiva a um blogue confere um feedback sempre motivador para o seu autor. Também é motivador para o estudante, saber que a audiência do seu blogue ultrapassa bastante o âmbito da audiência da sala de aula. O blogue poderá ser visto, lido e avaliado por qualquer pessoa estranha ao ambiente restrito duma sala de aula.
Tal como o blogue ultrapassa o ambiente da sala de aula, também não será menos verdade dizer, que o blogue ultrapassa o âmbito duma disciplina, podendo congregar várias matérias. Por exemplo, num blogue feito para o tema "The English Speaking World", podem figurar "posts" com textos que exemplifiquem as várias variantes do inglês. Para a disciplina de Geografia, o mesmo blogue pode conter materiais sobre cada um dos países de língua inglesa considerados. Cada um desses países tem factos históricos, que poderão servir de base à elaboração de "posts" para a disciplina de História. Isto deve ser tomado meramente como um exemplo, de como a utilização dos blogues poderá fomentar a integração de várias disciplinas, isto é, a multidisciplinariedade. Este facto fará com que os estudantes se habituem a organizar e a hierarquizar as suas próprias aprendizagens. Este será também um óptimo exercício de autonomia e auto-confiança na aprendizagem: O estudante tenderá a ganhar cada vez maior autonomia, visto que o professor será cada vez mais um orientador, que, de "veículo" transmissor de conhecimentos, passará a ser agora o elemento que ensina o aluno a pesquisar as matérias necessárias à abordagem dos respectivos temas: "Give a man fish and you feed him for a day; Teach a man to fish and you feed him for a lifetime". Por outro lado e parafraseando o texto de Kathleen Pinkman, o estudante irá progressivamente aprendendo a aprender. Isso dar-lhe-á uma progressiva auto-confiança.
A grande maioria dos estudantes dedicam poucas ou nenhumas horas de estudo para além das aulas. As matérias são muitas e os programas são extensos e rígidos, de cumprimento obrigatório por parte dos professores. Poderíamos dizer, que este quadro é a negação da, por vezes, tão apregoada autonomia. A acrescentar a tudo isto, os professores têm uma certa dificuldade em manter os alunos interessados no estudo das várias matérias, para além do âmbito dos 90 minutos da aula. Esta preocupação poderá também ser diminuída ou mesmo dissipada com o "blogging". É sabido que os jovens gostam de computadores. Ora, a sua utilização gera uma grande apetência para a aprendizagem fora das aulas e um exemplo duma boa utilização deste importante recurso é a criação de blogues. Deste modo os professores criarão situações de aprendizagem motivadoras para além das aulas. Os alunos poderão utilizar uma das suas ferramentas preferidas, para a sua própria aprendizagem e simultaneamente para o desenvolvimento das várias capacidades já referidas. Eles poderão aprender, revendo as matérias que vão pesquisando, reflectindo sobre o que vão introduzindo no blogue, comentando e questionando os blogues dos colegas e comunicando com eles.
Uma hipótese que se me afigura interessante, é a ligação dos vários blogues dos alunos duma turma, numa plataforma, algo semelhante ao que estamos a utilizar nesta acção de formação. Uma mini-blogosfera, à medida da nossa turma.
E já que falei de blogosfera, cabe-me aqui referir outra vantagem do "blogging", esta mais dirigida aos professores: A criação dos chamados "Edublogs", uma autêntica blogosfera, um fórum dedicado à partilha de problemas e troca de ideias relacionadas com a educação.
3 - As Desvantagens:
Quanto a mim e de acordo com um dos textos que li, o problema do "bullying" poderá ter contornos graves e pode ser potenciado pela utilização de blogues por parte dos alunos, embora não seja, logicamente, o "bullying" a sua finalidade. Nesse caso, o professor deverá tomar as medidas imediatas e promover, por exemplo, um debate sobre democracia e cidadania. O próprio blogue poderá então servir de mesa-redonda, ou de uma espécie de ponto de tertúlia para essa discussão.
Outra desvantagem da utilização de blogues prender-se-á com uma questão de tempo: Como já tive oportunidade de dizer, os professores sentem-se totalmente limitados na gestão do tempo necessário ao cumprimento obrigatório (e sem autonomia) dos vários programas. Restará pois pouco tempo extra, para preparar os alunos para a criação de blogues e ensiná-los a aprender autonomamente e a adquirir progressivamente a necessária auto-confiança.
4 - Conclusão:
Para concluír esta pequena reflexão vou tentar agora comparar as vantagens e desvantagens do blogue no ensino do inglês, com outras duas ferramentas multimédia, que também utilizo para o mesmo fim:
PowerPoint: Uma apresentação de PowerPoint numa aula de inglês pode ser útil e é sempre interessante. Porém o blogue permite, a meu ver, uma maior interacção aluno / aluno. O PowerPoint é útil para a introdução de um tema definido e pode, isso sim, servir de "warm-up" à criação de um blogue.
DVD: Em várias situações tenho criado pequenos filmes em suporte DVD para serem utilizados nas minhas aulas. A imagem dinâmica oferecida pelo pequeno documentário cinematográfico, em conjunto com uma explicação simples e música de fundo adequada, tem a vantagem de captar a atenção dos alunos para certos temas. Mas, até aqui, o blogue pode ser vantajoso: permite a introdução de imagens dinâmicas e permite a interacção atrás referida. Além disso, o recurso "blogue" está livre de outro problema, que ainda faz perder muito tempo: A incompatibilidade que actualmente ainda existe entre os aparelhos necessários a uma projecção de DVD. As projecções ficam comprometidas, sempre que um computador não seja compatível com um vídeoprojector, ou um leitor de DVD com um televisor.
Howdy João!
ResponderEliminarTem razão quando diz que as vantagens imediatas passam logo por pôr os alunos a ler e escrever. Se mais não se consegue( mas sabemos que se consegue muito mais!), pelo menos isso os blogues têm a seu favor: obrigam quem os usa a ler e escrever. E atrás disso estão outras competências como soletrar, interpretar,compreender, organizar, redigir,etc.
Gostei do seu texto. Muito organizado...para homem :0) (desculpe a provocação, mas não resisti!)
Gostei do post pela abordagem diversificada que apresenta ao nível das ideias. O João salientou a importância para os jovens de saberem formalizar os seus juízos de valor pela distrinça entre o que é útil e o que é redundante; o quanto é importante exercitar a capacidade de escrita, leitura e raciocínio crítico; o carácter multidisciplinar e transdisciplinar dos blogs(posts), não omitindo o papel da cidadania no nosso quotidiano “intelectual” pelo combate ao bullying. Usou com graça ditos da milenária sabedoria oriental que tão bem se aplicam nos nossos dias. Apelou para a criação de mini-blogoesferas e edublogs, sendo as primeiras uma verdadeira inovação no universo educacional das nossas escolas. De imenso interesse a inserção do powerpoint como warm up do blogue. Um bom post a meu ver!
ResponderEliminarOlá João!
ResponderEliminarO teu post traduz uma reflexão muito profunda sobre o uso dos blogues nas aulas de Inglês. Aquele provérbio aplica-se perfeitamente a todos nós que procuramos formação e a quem, neste período, o Formador José Mota, está a ensinar a "pescar".
Só com as armas do conhecimento, inovação, criatividade, etc., podemos (tu dizes revolucionar, eu acho uma palavra muito forte, sou mais pacífica!) melhorar o nosso desempenho enquanto professores/educadores.
Tal como referes, o uso dos blogues, aliado à utilização das outras ferramentas/recursos que já nos são familiares, dá-nos essa possibilidade.
Olá João
ResponderEliminarChamou-me a atenção o referires a possibilidade de se usar o blog numa perspectiva multidisciplinar. Ocorreu-me então que o blog poderia extravasar o espaço da “minha disciplina” e responder ao apelo das várias disciplinas da turma.
Todos os anos despendemos tempo e esforços conjuntos na articulação das áreas temáticas das disciplinas que integram o Plano Curricular da Turma. Se, no início de cada ciclo, fosse definido o tema a tratar, o resultado final poderia ser mais conseguido. Além do mais, a continuidade do projecto permitiria ao aluno reflectir e tomar consciência da sua própria aprendizagem.
Os alunos teriam autonomia para trabalhar no projecto sempre que quisessem ou pudessem. Que tal durante o tempo das aulas de substituição? Provavelmente sentiriam que estavam a utilizar melhor o seu tempo?!
O blog seria assim, um canal útil para atingir a partilha colectiva, aprendendo a respeitar-se e a respeitar o outro.
Muito boa a ideia do blog como um espaço que pode ser multidisciplinar, noção que facilmente se pode articular com a de um e-portfólio pessoal do aluno. Gostei da sua reflexão, ainda por cima muito bem estruturada visualmente. É d'homem ;-).
ResponderEliminarConcordo em absoluto que a utilização de blogues pode, como referes, criar novas sinergias no processo de ensino-aprendizagem, o que é sempre positivo e uma mais-valia, mas continuo a acreditar piamente, embora sob pena de eventualmente ser considerado “desactualizado”, ;-) de que há formas mais eficientes do que os blogues para desenvolver as capacidades de leitura, interpretação e expressão escrita.
ResponderEliminarNão tenho dúvidas de que tudo o que possa contribuir para os fazer ler e escrever – dado o panorama actual - será positivo, blogues incluídos.
Mas, Johannis, my man… será que os textos que a grande maioria dos nossos alunos escreveria num blogue seriam assim tão diferentes daqueles que escrevem nos seus perfis de Hi5, Facebook, Netlog e afins? Acreditamos mesmo nisso?
Claro que alguns escreveriam de certeza textos surpreendentemente bons, já tive gratas experiências nesse sentido, mas a generalidade deles… duvido.
Mas a culpa nem é deles. O tipo de escrita que vemos muitas vezes nos blogues é apenas a transcrição do que é viver na sociedade ocidental da actualidade, onde predomina a “cultura do chiclete”, onde tudo é feito depressa e, pior do que isso, à pressa, donde a reflexão e a tranquilidade foram tristemente banidas em nome da “eficiência” , do “dinamismo”, da “actualidade”.
E daí resulta o que normalmente vemos na maioria dos blogues e, até, desgraçadamente, nos jornais e nas livrarias: textos sem substância, cheios de trivialidades, de clichés e tão pobrezinhos de vocabulário que poriam Camilo a chorar baixinho.
Mas enfim, são reflexos dos nossos tempos e bons para, enfim, como se faz às chicletes, mastigar e deitar fora.
Olá João:)
ResponderEliminarBem, a tua reflexão é bastante profunda. Abordas aspectos bastante pertinentes. As sugestões que apresentas são bastante interessantes. Desde há muito que o papel do professor está a transformar-se no papel de um orientador e com estes recursos tecnológicos à disposição facilita-nos essa alteração. O blogue é um recurso, por exceLência, que nos facilta a nossa actividade, trazendo uma lufada de ar fresco e predispondo os alunos para a aprendizagem e/ou aprofundamento de conhecimentos. Óptima reflexão Amigo:)
"E daí resulta o que normalmente vemos na maioria dos blogues e, até, desgraçadamente, nos jornais e nas livrarias: textos sem substância, cheios de trivialidades, de clichés e tão pobrezinhos de vocabulário que poriam Camilo a chorar baixinho."
ResponderEliminarNão sei não, Pedro. Estou convencido que se o Camilo andasse por cá hoje teria certamente um blog :-).
Há isso tudo que diz, mas também há blogs muito bons. A cultura pós-moderna é isto mesmo: o convívio do excepcional com o execrável, com muita coisa pelo meio.