Tal como já vos falei das tabernas da Lisboa dos bons velhos tempos, vou agora falar-vos um pouco das marcas que povoavam o nosso "mundo" nos idos anos 60 do século passado:
Os Produtos Alimentares e os Produtos de Higiene:
Recordo-me que a alimentação era bem mais saudável e natural do que na actualidade. Na maioria dos casos a leiteira e o padeiro entregavam os respectivos produtos à nossa porta e, por vezes, o marçano entregava uma profusão de produtos da mercearia mais próxima. Não existiam supermercados e, muito menos, hipermercados. Existiam já alguns minimercados, que eram uma grande novidade na nossa capital!



Lembro-me de vários produtos "made in Portugal",
tais como a margarina "Vaqueiro" e a margarina"Chefe". As crianças não dispensavam a "Farinha Amparo" ou a "Farinha 33" ao pequeno almoço.
As salsichas "Izidoro" e "Aveirense" faziam a sua aparição e consumia-se o atum "Bom Petisco". O Estado Novo, na sua febre de poupança, apelava ao consumo de massa em grande escala. Uma publicidade da rádio, tipo institucional, pois não se referia a nenhuma marca em particular, dizia: "Se tens traça, come massa, que fica quase de graça".
Nas mesas nunca faltava uma garrafa de vinho, sendo as marcas fornecidas pelas adegas de Abel Pereira da Fonseca, talvez as mais apadrinhadas pelo Estado Novo

Os detergentes começavam a destronar o sabão azul e branco, na lavagem da roupa. Porém, poucas casas possuiam máquina de lavar. Surgiram primeiro as marcas de origem estrangeira, como o "Omo" e o "Tide", esta última com uma publicidade na rádio, que dizia "Tide a lavar e Você a descansar!". Pouco tempo depois, surge o detergente nacional "Det", cujo nome, bastante naïve, provém das primeiras letras da palavra "detergente".

A marca nacional de sabonetes era o "Feno de Portugal", fabricado no Porto, pela fábrica Ach. Brito e que rivalizava com o "Lux", utilizado por "nove de cada dez estrelas", como dizia a publicidade radiofónica. Existiam duas marcas nacionais de pasta dentífrica: "Couraça" e "Couto".



Os Passatempos:
Não existiam "playstations" nem outros jogos de computador. Além da televisão, da rádio e dos pequenos leitores de cassettes, que faziam a sua aparição no mercado, os mais velhos deleitavam-se com as pistas de automóveis "Scalectrix" e as redes ferroviárias em miniatura "Märklin" ou "Lima". Os acessórios eram adquiridos aos poucos (tal como ainda hoje) e, a partir de uma simples oval, construía-se uma autêntica rede ferroviária, onde a vida real era rigorosamente transferida para uma cidade à escala. Os mais pequenos tinham à disposição uma profusão de brinquedos, nacionais e estrangeiros, que também imitavam a vida real, motivando as crianças a coleccionar, a diferenciar, a conhecer e a utilizar, por exemplo, os vários tipos de automóveis, camiões, autocarros e outros veículos que fazem parte do nosso quotidiano, em vez de, como na actualidade, os brinquedos serem meras peças de ficção, totalmente desgarradas da realidade, com os quais se pode brincar, mas dos quais pouco se pode extraír de didático. Mas voltando ao antigamente, quem não se lembra dos carrinhos da "Matchbox", ou a uma escala maior, os "Corgi Toys"? Quem nunca brincou com um "double decker" londrino "rear entrance" da "Dinky Toys"?
Quanto aos brinquedos nacionais, havia os modelos de plástico da marca "Osul", a escalas grandes, que davam para brincar pela casa toda, com automóveis com interiores ou grandes autocarros que davam para estabelecer linhas imaginárias da sala para a cozinha, com paragens e tudo! Existiam também os brinquedos de madeira, nomeadamente grandes camiões e eléctricos, vendidos nos já desaparecidos Armazéns do Grandella e brinquedos de lata, feitos numa fábrica de Ermesinde, arredores do Porto, que resurgiram agora a preços exorbitantes. Nessa época, enquanto brincávamos, aprendíamos os problemas da vida quotidiana e do mundo que nos rodeava, pois cada brinquedo imitava um modelo real.
E assim, recordámos neste post as marcas que povoaram a nossa infância.
E assim, recordámos neste post as marcas que povoaram a nossa infância.

Obrigado por este passeio "down the memory lane" :-). Lembro-me da maior parte destes produtos e até me lembrei, com um sorriso irreprimível, dos anúncios da televisão.
ResponderEliminarAcho que a nossa infância era boa, porque tínhamos muita liberdade para brincar na rua e sempre um grupo de amigos à nossa volta. Mas era muito má em muitas outras coisas. Desse ponto de vista, parece-me que os nossos filhos vivem num mundo bem melhor do que foi o nosso, até nas coisas com que podem brincar. As antigas ainda por aí andam, e há uma data de coisas novas fantásticas. Há más, é claro que há, mas também há muita coisa boa.
ó joão, hóme!! esqueceste o anúncio / marca fundamental da nossa infância!! see whether it rings a bell:
ResponderEliminar"um preto de cabeleira loura e um branco de carapinha não é natural! o que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu. RESTAURADOR OLEX! RESTAURADOR OLEX, restaura a cor natural do seu cabelo!"
hein?? que tempos!! não sei se bons, se levemente deprimentes, para falar verdade...