sábado, 24 de outubro de 2009

Há já muitos e longos anos que sói dizer-se que "Homem que fala duas línguas, vale por dois!". Infelizmente, em Portugal, os nossos sucessivos governantes ainda não tomaram esse ditado ou espécie de provérbio à letra. Até agora tem-se priveligiado, quase exclusivamente, a aprendizagem do inglês, que já pode ser aprendido desde tenra idade. Claro que essa medida é de indiscutível interesse, pois que o inglês é indubitavelmente a língua mais importante do mundo.
A partir de 1945, com a vitória dos países aliados na Segunda Grande Guerra e com a ascensão dos Estados Unidos da América como a grande potência mundial e com a ascensão e/ou independência de vários estados do antigo império britânico, agora transformados em potências regionais, o inglês foi destronando progressivamente o francês, que até então era a língua franca por excelência. Para tal também contribuiu a própria estrutura da língua inglesa, extremamente simples, comparada com a do francês ou com a de qualquer língua europeia. As línguas latinas são muito complicadas, com estruturas gramaticais arcaicas e as eslavas ainda mais arcaicas são. Apenas as três línguas germânicas da Escandinávia (sueco, dinamarquês e norueguês) possuem estruturas gramaticais tão ou quase tão simples como a do inglês, mas essas línguas, embora faladas por países bastante mais prósperos do que o Reino Unido e com uma qualidade de vida muito superior à dos Estados Unidos da América, continuam a constituir três pequenos "nichos" com poucos milhões de falantes. O alemão e o holandês também possuem estruturas um tanto ou quanto complicadas. Assim o inglês pode continuar a sua via hegemónica, sem ter um rival à altura.
Porém, nós pertencemos a uma região geopolítica muito específica, uma união económica de 27 países, onde são faladas 22 línguas nacionais oficiais e várias línguas regionais. A União Europeia aconselha, por isso, a que os seus cidadãos falem três ou quatro línguas.
E entre nós? Além do inglês, que é um instrumento de trabalho incontornável, mas já não uma mais-valia, porque é falado melhor ou pior pela maioria, que outras línguas podemos aprender no nível secundário?
O alemão, que é a língua mais falada na Europa a que nós pertencemos, falada pelos países mais ricos, entre os quais pelo "motor" da União Europeia, tem tido uma procura decrescente, bem como o francês, devido em parte a uma má política dos responsáveis pela educação a vários níveis. Esse vazio está a ser preenchido pelo espanhol (castelhano), somente falado em Espanha, assim como o finlandês é somente falado na Finlândia! Porque não aprendê-lo também!? Muitos recordar-me-ão da existência dos países da América Latina. Mas será que eles têm assim tanta importância económica para nós como a Alemanha ou a França? Não creio!
É claro que devemos aprender o maior número possível de línguas. Mas devemos "hierarquizar" essa aprendizagem: O inglês em todo o percurso escolar, o alemão e o francês a iniciar obrigatoriamente no ciclo e no 10º ano. E então uma quarta língua opcional, a escolher talvez entre o espanhol, o russo e o holandês (ou uma língua da Escandinávia) num nível de ensino a determinar. Só assim poderemos formar verdadeiros "eurocidadãos".

1 comentário:

  1. Eu percebo o ponto de vista, mas o problema é a carga horária dos alunos. É que assim como está, já é bem pesada, e muitas áreas disciplinares se queixam de que precisavam de mais horas do que as que têm. Se vamos introduzir mais línguas, tiramos o quê? Depois há áreas básicas importantes em que temos que melhorar, porque temos muitos alunos abaixo da média em termos internacionais.

    Muitos dos alunos bons e médios já quase não têm tempo livre, em muitos casos, entre as aulas e o que têm que estudar (os menos bons têm porque a parte do estudar esquecem). Vamos aumentar-lhes ainda mais o tempo de escola e de estudo? Bom, parece que a nossa nova ministra quer a escola a tempo inteiro até ao final do básico. Vamos institucionalizar as nossas crianças e jovens para que o resto da sociedade possa fazer a sua vida sem preocupações. Acho isso preocupante.

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